A Dor da Outra

A mulher volta a tela e é trazida, mais uma vez, a realidade que ainda se joga para baixo do tapete. Um poder masculino não transforma realidades femininas. Série Maid chama a atenção para a juventude, aquela jovem que começa sua vida já tendo valores e conceitos imputados a ela ,que transformarão sua essência de alguma forma. Isso vem ocorrendo na velocidade da luz, e temos muitos comportamentos e exemplos que alimentam isso todos os dias.


Não é a dificuldade material, é a dificuldade emocional que gera perdas difíceis de serem reconstruídas depois. Para muitas, a dor de dentro vira uma referência e isso é algo que cresce diariamente.


A série deixa o tapa, soco, mancha roxa em segundo plano, tira o problema do espaço doméstico, mostra a exclusão social, o desmerecimento, a exposição, a falta de expectativa. Mostra exatamente o que torna tudo muito mais difícil. Não é uma luta apenas com o agressor de reações e palavras, é muito mais.


É uma luta com a família, o empregador, o sistema, o vizinho, o comércio, a escola, com uma galera enorme. É uma luta diária, silenciosa e amarga.


A cena do mercado, do homem na fila com cara de desdém, da caixa chamando no alto falante o gerente é um retrato fiel da realidade. Perdemos a empatia por completo, e isso não é pelo gênero é do ser humano.


Há uma realidade preocupante, ela ainda é silenciosa mesmo as portas de 2022. Há muitas e muitas jovens, como a do filme, vivendo suas dificuldades e medos a nossa volta. O fim do filme é confortante mas nem sempre é assim. Não é apenas um filme ou série, ou sucesso likes, é realidade, está a nossa volta. Sejamos sensíveis, saibamos ouvir, respeitar, colaborar. É preciso, muito mais do que avaliamos. Pensa nisso.






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