A Liberdade e seu Preço

Hoje caminhando na praia seguia a minha frente uma mulher, vestida de forma esportista, com roupas de boa qualidade, com fones no ouvido e um celular na mão. Ela não estava descalça, caminhava de tênis e gesticulava pela conversa no telefone.


Eu diminui o passo pois insisti em achar algumas conchas já que isso virou quase um vício por aqui na nova rotina, porem, com a maré mais alta, isso era quase que impossível. Retornei a caminhada e percebi que as pessoas faziam cochichos, riam de forma disfarçada, não entendi bem até olhar reto para frente.


Lá estava a moça, esportista, dançando com seu fone de ouvido na areia. Era visível que a música estava nela e que isso a fez se desligar de tudo a volta. Pensei que o fone, com um boa música, em um volume mais alto, realmente nos desliga de tudo a volta e isso nos da a sensação de estarmos em um mundo a parte. Tenho certeza que esse era o momento dela. Ela bailava com os braços, quadris, pernas e o sorriso no rosto. Confesso que sentir uma inveja branca.


Mas na verdade, o que me chamou mais atenção foi o julgamento no olhar e nas palavras em baixo tom da maioria das pessoas que passavam a sua volta.


Como assim dançar no meio da areia e ignorar o conceito determinado para aquele lugar específico? Afinal, não é comum pessoas com roupa esportista dançando ( com vontade) nas areias da praia, principalmente em praia cheia de olhos para observar e conceituar a atitude. Mas ea dançava desligada de tudo aquilo.


Vi ali que estamos em uma vida supostamente "feliz" cumprindo regras estabelecidas sabe lá por quem e que precisamos nos adequar a isso. Quando se foge a algum padrão, previamente definido, há um conceito de loucura, deboche ou algo até pior.


Nossa liberdade tem um preço alto demais. Há um receita pronta de conduta dentro de nós, ela só salta quando percebemos rotinas que não se enquadram aos padrões que aceitamos como certos. Isso é cultural e nossa cultura por aqui é bem pequena.


Lembro que quando morei fora a primeira vez, em um mercado, pela manhã, encontrei uma mulher com um longo vestido de paetês lilás e bem maquiada, ela brilhava mais que a luz do sol. O que mais me chamou a atenção não foi ela e seu traje, mas a forma com que as pessoas no mercado não se deram conta da sua presença muito menos de sua vestimenta...acho que só eu. O que aquilo me mostrou? A forma que ela estava naquele local, mesmo que eu, simples mortal, considerasse sem sentido, não era problema meu. E não ser problema nosso já era muito claro naquela cultura.


Voltei para casa, a mulher dançante seguiu para outra direção. Aquilo me incomodou e muito. Pensei em tantas pessoas que deixam de ser ou fazer o que desejam pelo simples fato de temer esse julgamento que assisti de perto.


Ninguém pode viver a sua vida, ela é sua. Vivê-la com o que é seu direito é se auto respeitar, jamais deixe que alguém tire isso de você. Pensa nisso.




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